Acácio a fumar
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"Fiz um pacto com o diabo!"

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Saiba quem é Acácio Jeremias, e porque é que ele vai revolucionar o país.

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Saiba porque o exercício físico é importante para o visionário Acácio Jeremias e perceba a implicação que isso tem para a sua abastada vida financeira.

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Acácio Jeremias é o nome, achamos nós, de um jornalista que se intitula um “libertador de mentes”. O seu primeiro livro, “As Cartas de Acácio Jeremias”, trata-se de um conjunto de cartas enviadas a empresas nacionais com o intuito de as tornar vítimas de chacota. Entrevistámos este homem para saber o que lhe vai na mente. E não gostámos do que ouvimos…

Antes de mais, gostava que me dissesse se Acácio Jeremias é mesmo o seu nome verdadeiro.

Antes de mais, deixe-me também dizer-lhe que essa pergunta não me espanta. Especialmente vinda duma reporter duma revista como a Ana…

Mas tem alguma coisa contra a nossa revista?

De maneira nenhuma. Acho até que vocês prestam um verdadeiro serviço público à comunidade. Basta ler a vossa secção de Consultório de Saúde para perceber isso. Em que outra publicação é que se consegue ter acesso a tanto conselho superficial em tão pouco espaço?

Para alguém que parece não gostar da nossa revista, estou espantado como é que a conhece tão bem.

Eu gosto de fazer o meu trabalho de casa. Coisa que você não fez, caso contrário não me estaria a perguntar se o meu nome é mesmo o meu nome.

Acácio, passemos à frente, por favor. Diga-nos de onde vem a inspiração para as suas cartas.

A inspiração vem de muito sítio. Do facto da sociedade ser como é. E também um pouco por via divina.

O Acácio é religioso?

Sim, embora de forma indirecta.

Não estou a perceber.

Digamos que não acredito em Deus mas fiz um pacto com o Diabo!

Como?!

Foi isso mesmo que ouviu. Fiz um pacto com o Diabo.

Está a falar a sério?!

Acha que eu mentiria a uma publicação tão séria como a revista Ana?

E como é que isso aconteceu? Pode contar-nos?

Foi numa noite de Verão, há cerca de seis anos. Tinha acabado de sair duma discoteca e foi então que o vi.

Que o viu? Ao Diabo? A Besta?!

Não, o porteiro da discoteca. Uma espécie de besta, sim, mas não aquela a que você se refere. O mais dramático é que o homem até tinha talento. Sabia desenhar muito bem. Mas nunca fez mais nada da vida, coitado. Também, com a doença que a mãe tinha…

Mas Acácio, diga-me então, e a aparição do Diabo?

Foi muito simples. Tratou-se do taxista que me levou a casa. Ao início começou por ter uma conversa de chacha. Falou sobre o tempo, o futebol, enfim… os temas normais de eleição da classe taxista. Mas eu achei logo que havia ali qualquer coisa de errado com aquele homem. Tinha os olhos negros e fogosos. E foi então que, tendo visto alguma coisa de especial em mim, ele se revelou.

Disse-lhe que era o Diabo?

Não, disse-me que já tínhamos saído da zona urbana de taxação e que agora tinha de mudar a bandeirada. E assim que acabou de dizer isso, referiu que me podia ajudar na busca da verdade.

Como assim?

Ele obviamente reparou em algo que a maior parte das pessoas não reparam.

Ele apercebeu-se da sua personalidade conturbada?

Não, reparou apenas que eu tinha um charuto na boca e que não se encontrava aceso. E ofereceu-me lume. Só isso.

E é por isso que você acha que ele é o Diabo encarnado?

Ele tinha os olhos negros e não encarnados. Seja como for, desconfiei que algo não estava bem quando ele estalou os dedos e eles se incendiaram como se fossem acendalhas.

Uau! E você não achou isso estranho?

Repare, eu não frequento o meio dos taxistas. Para todos os efeitos, para mim aquilo era um apenas um aficionado de truques de magia.

Mas como é que partiu daí para o pacto que fez com ele?

Isso deveu-se a um infeliz incidente que tive nessa tarde com um tubo compressor, um saco do Pingo Doce e uma câmara de ar. Não gostava de entrar nos detalhes do incidente, mas digamos que não tinha a minha carteira comigo. E assim que ele se apercebeu disso, propôs uma interessante troca.

Que foi?!

Disse-me que aceitava um pouco do meu sangue em troca do pagamento. Caso contrário teria de chamar a polícia.

E você aceitou?!

Bem, ele disse que só queria um pouco do meu sangue. Se eu tivesse de aceitar o sangue dele já seria outra história. Mas como ele só queria um pouco do meu, não tive grandes problemas. E como nessa manhã tive um acidente de automóvel após ter passado um Stop, tendo embatido num Smart que se encontrava a atravessar o cruzamento, achei que não seria boa ideia ter mais um encontro com a polícia.

E como é que se processou essa “entrega de sangue”?

Bem, ele prontificou-se a ajudar e retirou uma caixa de recargas de Gillete Mach3 que tinha num saco de compras no banco da frente. Felizmente não foi necessário mutilar-me. Graças ao acidente dessa tarde, ainda possuía um corte numa das mãos (não por causa do acidente, mas por causa das altercações que tive com o outro condutor antes da polícia chegar). De maneira que foi só retirar o penso dos punhos, dar umas espremidelas valentes para a boca dele, e o homem ficou contente.

E mais? E mais?!

Assim que estava a sair do carro, o taxista encarou-me nos olhos, ou pelo menos acho que me encarou pois ele era estrábico e não percebi bem se estava a olhar para mim ou para o tejadilho da viatura, e disse-me que a minha inspiração ia subir em flecha daí para a frente. Mas com a contrapartida de que, após a minha morte, a minha alma lhe pertenceria.

E você? O que lhe disse?!

Na altura não liguei. Julguei que o homem era doido. Mas agora que me tornei um visionário, assim do dia para a noite, e que tudo começou a acontecer sem explicação aparente, estou convencido que ele era mesmo o Diabo. E como os pactos são para ser cumpridos, isso quer dizer que lhe pertenço. Na realidade, não sei se isto será verdade. Mas lá que é uma história do caraças, isso ninguém pode negar!